quarta-feira, 5 de setembro de 2012

A era da colaboração e do compartilhamento

A palavra “wiki” faz parte do dialeto havaiano e significa algo “rápido, extremamente veloz”. O termo se popularizou através da Wikipedia, uma enciclopédia online e colaborativa, onde milhões de pessoas ao redor do mundo acessam, criam e compartilham conhecimentos de forma gratuita e “extremamente veloz”. Nesse cenário, wiki não é sinônimo apenas de algo rápido, e sim de colaboração.

Então vamos ao termo Wikinomia: uma nova economia que emerge no mundo, baseada na cultura da colaboração e do compartilhamento. Para se inteirar no assunto acesse o site da Benfeitoria, uma plataforma online e gratuita de engajamento coletivo, que unecrowdfunding (financiamento coletivo) com outras modalidades de crowdsourcing (colaboração em massa) para viabilizar projetos transformadores.

Era da informação -> Era da Colaboração
Mercados de redistribuição, consumo compartilhado, colaboração em massa, financiamento coletivo, co-criação, coworking, inovação aberta, cultura livre… Como esses conceitos, cada vez mais, estão relacionados à nossa vida diária e suas derivações irão moldar o nosso estilo de vida daqui pra frente? De onde isso vem? Para onde isso vai? Vamos por partes!
Para começar, vale esclarecer que, muito mais que um novo conceito, estamos falando de uma nova forma de produzir, consumir, compartilhar e se relacionar com o outro – transformações sociais significativas que, como defende o sociólogo francês Edgar Morin, emergem da consciência coletiva gerada após períodos de crise, quando a necessidade e a urgência de novos modelos ficam ainda mais evidente para todos.
Mas o cenário atual não se tornou tão fértil para essa nova economia “apenas” porque vivenciamos recentemente graves crises financeiras e ambientais no mundo, nem mesmo por vivermos em constante desequilíbrio social. O grande pulo do gato dessa revolução colaborativa foi ter, aliado a esse contexto pós crise, um processo significativo de evolução/barateamento tecnológico e de expansão da internet, permitindo que bilhões de pessoas comuns não só tenham acesso a mais informação e ferramentas do que nunca, como tenham poder de produção, expressão e mobilização em grande escala.
Para exemplificar, vejamos a Wikipedia: em menos de 10 anos de existência, através da colaboração de quase 2 milhões de pessoas, já conseguiu ter mais verbetes do que a Enciclopédia Britânica, que existe há mais de dois séculos! Outro exemplo: no Youtube, a cada minuto sobem 60 horas de vídeo para o site, ou seja, uma hora por segundo. Em menos de 10 anos de existência, o Youtube já tem mais conteúdo autoral do que muitos conglomerados de mídia. Isso apenas para ficar no exemplo de sites conhecidos e que já entraram em nossa rotina.
Pela primeira vez na história, qualquer pessoa pode usar um meio de comunicação tanto para consumir conteúdo, como para criá-lo e compartilhar para quem tiver interesse. Agora, soluções inovadoras surgem de muitos para muitos. E esse é só o começo. Segundo o futurista canadense Don Tapscott, autor do livro “Wikinomics”, muito mais que uma nova economia, estamos entrando em uma nova era: a era da colaboração; a era da inteligência conectada.




quarta-feira, 18 de julho de 2012

Onde está a educação?


A pergunta pode até ter uma resposta óbvia, porém o cidadão percorrerá um longo caminho para encontrar. Porque se a educação é coisa de berço, a do brasileiro é uma caminha bem porca e atrevida. E a falta dela (educação) atinge todas as classes sociais e faixas etárias.

Só para ilustrar vou contar uma pequena história. Recentemente estava indo a Belo Horizonte de ônibus, na poltrona ao lado havia uma senhora de uns 70 anos. No início da viagem coloquei meu braço no descanso, que separa os dois assentos de uma maneira discreta para não prejudicar o espaço dela. Lá pelas tantas recebi um cutucão daqueles que acordaria até um defunto, como não houve um pedido de desculpas achei que a mulher tinha sofrido um espasmo. Dessa forma me ajeitei de novo e tentei dormir, logo recebi mais dois solavancos e logo percebi quem era a dona da área. Para completar, a idosa se sentiu mesma a poderosa e tomou conta do espaço físico todo, fiquei exprimido como uma sardinha na latinha, porém sem molho.

A ideia, porém de mudar de poltrona me causou outro transtorno, agora aos ouvidos. Não entendo estes especialistas que dizem que essa juventude é a nova geração X ou Y, ou outra letra qualquer. Só porque vivem na época da tecnologia e sabem tudo de smartphone, iphone, ipod, tablet, facebook e outras coisitas. Para mim eles são a geração “alien” de alienados.  Eram duas horas da manhã, tudo escuro dentro do ônibus, no assento ao lado um garoto ouvia seu celular no último volume, sem fone de ouvido e pior escutava funk, aquilo foi o fim do mundo, queria jogar aquele mpcel (mistura de mp3 e celular sem crédito), pela janela.

Mas, a má educação é um mau que se espalha e se perpetua em todos os lugares. Nas ruas, com a falta de trato com as pessoas, com lixo jogado no chão, dentro dos bancos e repartições públicas. A depredação de obras públicas é outro exemplo de insanidade.  Qual o sentido desse ato? Duvido se o melhor sociólogo terá a resposta.

Recentemente assisti em uma reportagem, que as cabines de ônibus de Dubai, nos Emirados Árabes são todas fechadinhas e climatizadas de acordo com a temperatura do dia, além de contar com assentos confortáveis. No Brasil estamos no mesmo caminho, as cabines existem, são adaptáveis ao tempo, tanto que o cidadão até molha se chover, mas os bancos não são pousáveis, pois já foram arrancados.
Avenida Brasil, Pirapora-MG.
 Seguindo nessa linha de depredação, segue no Facebook, um bolão que já esta faturando mais alto que a luta de Anderson Silva vs Chael Sonnen. Foram instalados dois painéis eletrônicos de publicidade em Pirapora-MG, bem no cruzamento de duas avenidas movimentadas, a Rio Grande do Sul com a Brasil. As apostas na rede social são essas: quanto tempo demorará para um mal educado quebrar os painéis? E num ranking de menor valor, quando tempo irá demorar para um motorista desavisado bater o carro, ao olhar os anúncios chamativos?

Como sou um eterno sonhador apostei que os painéis durarão, pois é preciso ter fé, mesmo que seja uma fé cega. E não me diga que a educação está nas escolas, local onde professores são agredidos e crianças sofrem bullings, porque aí perco a fé de vez. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Meu ouvido não é pinico


Recentemente acompanhei pelas mídias a balbúrdia criada em torno da música “Kong”, do cantor Alexandre Pires, que foi denunciado por racismo. Segundo denúncia feita a Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, órgão da Presidência da República, o vídeo da canção utiliza "clichês e estereótipos contra a população negra" e que "reforça estereótipos equivocados das mulheres como símbolo sexual".
Engraçado que na noite do dia 13 de maio de 2012, o rapper Emicida foi detido pela Polícia Militar depois de um show realizado no bairro do Barreiro, em Belo Horizonte. Via Twitter, o músico disse que foi preso por desacato após cantar a música “Dedo na Ferida", que fala sobre o enfrentamento entre a polícia e as comunidades da periferia das cidades, como no caso do despejo da Ocupação Eliana Silva, na capital mineira. A assessoria da PM, informou que o artista foi detido por incitação ao público através de gestos obscenos. Porém, desta vez, não houve balbúrdia nenhuma, apenas um cantor negro sendo preso por cantar canções ofensivas, quanto clichê ou será ironia.
No mesmo domingo, o Fantástico vinculou uma matéria sobre uma adolescente que sofreu bullying, por ser fã do cantor Luan Santana. Segundo a reportagem, ser humilhado e excluído de um grupo por gostar de um ritmo musical é um dos tipos de bullying mais comuns na adolescência.
Primeiro, o bullying representa uma adolescência decadente, sem educação e sem limites. A coitada da fã apenas tem um gosto ruim, não merecia ser agredida por isso. Já Alexandre Pires deveria ser sim processado, mas por gravar uma música sem nexo algum e pela banalidade musical.
Mas a culpa é da sociedade que consume cada vez mais músicas alienadas, sem sentido e de um mau gosto surpreendente. Uma cultura de massa que cultua artistas descompromissados com a qualidade. Alexandre Pires só faz parte de uma lista de músicos que há muito tempo, explora os estereótipos e faz da mulher um símbolo de orgia.
Talvez muitos pensarão que este texto é preconceituoso, ou é inveja pura por não conseguir dinheiro rimando “tchu tcha com tchá thu”. Mas, ao meu ver, é humanamente impossível escutar os ditos “novos hits musicais”, seja ele sertanejo, pagode ou funk, não há pinico que suporte tanta caca.
Mas para a alegria de muitos ouvidos, temos as letras musicais que fizeram e fazem história, gravadas nas memórias de gerações. Além da maior invenção do homem, os arquivos que permitem gravar vídeos ou músicas em vários formatos. Desta forma podemos relembrar as guitarras clássicas do rock nacional e internacional, o piano de Tom Jobim, a voz marcante de Elis Regina, a loucura rock'n'roll de Raulzito, entre outros que nós fazem lembrar que nosso ouvido não é pinico.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Por que ser jornalista – uma paixão além do diploma

Numa quarta-feira, dia 17 de Junho de 2009, por oito votos a um, o – Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a exigência da graduação em jornalismo para o exercício da profissão, em votação do Recurso Extraordinário 51.1961, em suma a partir dessa data não seria preciso ter diploma para exercer a profissão de jornalista. 
Na época, só para relembrar, os ministros Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram contra a exigência, enquanto Marco Aurélio Mello votou a favor da obrigatoriedade do diploma. Não esquecendo que um desses “capa preta” argumentou que jornalismo era uma profissão de liberdade de expressão, que neste caso até uma empregada doméstica poderia fazê-lo. Não tenho nenhum preconceito, se a auxiliar do lar estiver apta também concordo. O que não podiam era “confundir liberdade de expressão e de imprensa e direito de opinião com o exercício de uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética”, Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj). 
Senti-me roubado, totalmente impotente, no momento em que soube da decisão passou um filme em minha cabeça, quantas noites de sono perdidas para me dedicar à faculdade, a saudade da família e a certeza de estar fazendo algo digno e pelo caminho certo. O golpe final veio através do Jornal Nacional (noticiário da poderosa Globo), William Bonner, todo elegante disse ao povo brasileiro que o STF só ratificou uma “prática do mercado”. Parece até aquela safadinha, “É a ética do mercado, entendeu?”, Renata Cavas ex-gerente da Rufolo Serviços Técnicos e Construções, em matéria do Fantástico sobre corrupção em repartição pública. 
O DIA DO DIPLOMA
Minha impotência foi ainda maior ao ver que poucos jornalistas se indignaram, não houve mobilização em massa, uma demonstração que classe desunida jamais vencerá. Nossa luta hoje, não deveria ser pela volta do diploma, mas por uma entidade representativa, nos moldes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), sem essa de que jornalista não gosta de advogado, precisamos aprender sobre corporativismo com eles. 
Minha revolta não passou, ainda discuto na rua, nas rodas com amigos ou profissionalmente sobre a importância do jornalista ter uma formação acadêmica. Por desilusão havia me esquecido por que fiz o curso de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo. Mas, recentemente a chama acendeu novamente, meu orgulho voltou à cena, a cachaça do jornalismo reapareceu ainda mais forte, tudo isso ao ler O Dossiê Iscarioteses, do jornalista Marcos Losekann (leia - Uma noite de insônia com Iscariotes). 
O livro é o primeiro de uma trilogia - O dossiê Iscariotes (2006), O segredo do Salão Verde (2007) e Entre a cruz e a suástica (2009). Nos três, o personagem principal é o jornalista Anderlon Gonçalves Varderês, mais conhecido como AGV, um profissional consagrado e apaixonado pela profissão. 
Sem querer resenhar o livro, na primeira parte da trilogia, AGV ateu convicto, trava um feroz diálogo com uma luz que pode ou não ser Deus, em meio essa transformação o jornalista cobre a rebelião de uma penitenciária de Manaus, a morte do seringueiro Chico Mendes e se envolve em uma conspiração política macabra. 
Todos esses ingredientes e a paixão de AGV pelo jornalismo me fez refletir como é gostoso ser jornalista, como foi, e é importante para mim as intermináveis discussões realizadas nos corretores da faculdade ou em sala de aula. Como aprendi com meus amigos de universidade e também com os profissionais que conheci na minha jornada inacabada de jornalismo. 
Nada, nem ninguém, até mesmo o STF tiram de mim esse diploma. Não estou falando do papel, mas da paixão de informar, de saber interpretar as notícias, de apurar, de ser o emissor e acima de tudo ser o comunicador, que escuta e descreve os fatos, para que a mídia faça o "estímulo/resposta” (alguém aí se lembra da Teoria Hipodérmica ou Agulha Hipodérmica?). Se não, vale a pena lembrar: “Confundir liberdade de expressão e de imprensa e direito de opinião com o exercício de uma atividade profissional especializada, que exige sólidos conhecimentos teóricos e técnicos, além de formação humana e ética”, é um erro. 

terça-feira, 27 de março de 2012

Papo de boteco com a Morte: Senhor Morte e a revelação



Mas, alheio a briga, Consta explicou que na verdade não foi o médico que lhe avisou da morte, e sim a própria Morte. O silêncio voltou a tomar conta do bar lotado, mas o moribundo não se abateu e continuou. Segundo ele, a coisa ruim apareceu de terno e não como nos desenhos animados, com uma capa preta e foice. Estava todo alinhado e perfumado, como se fosse a uma festa de gala. Falava um português culto e claro, assim como o Professor. Consta afirmou que parecia mais um galã de novela.
- Nunca achei homem bonito, mas esse cabra era chique, cheirava tão bem que deu vontade de abraçá-lo, porém ele foi logo dando a notícia ruim. Disse que eu vivi uma vida plena de putaria, cachaçada e mulherada, que chegou à hora de descansar a alma, pois meus anjos da guarda estavam saturados, eles precisavam de férias e eu de morrer, portanto tinha seis meses para me despedir desse mundo e dos amigos. Tive que concordar com o cara, apesar de ainda estar procurando a mulherada. O enviado do chifrudo só não soube me dizer que dia seria meu fim.

Processei muitas perguntas em minha cabeça de jornalista, porém só consegui fazer uma. Por que a Morte seria um sinal do Diabo, não poderia ser de Deus? Mas, Magno que não era de perder uma piada e homofôbico de carteirinha, esclareceu de forma suja: 
-Com essa viadagem toda só poderia ser coisa do chifrudo. Consta, acho que você não esta morrendo, para mim esta virando gay. 
Essas foram as sábias palavras do filosofo de buteco. 
A discussão estava quente, todos queriam saber como era a Morte, ou melhor, o Senhor Morte, apelido dado pelos frequentadores do Magnífico. Outros faziam conspirações e conjecturas sobre a Morte, Deus e o coisa ruim. Mas, a grande revelação ainda estava por vim, lá pelas 5 horas da madrugada entra no bar a irmã de Consta, preocupada com ele. 
Depois de colocar o nosso amigo no carro, ela voltou e agradeceu por não termos dado cerveja para ele. Todos disseram que o ex-pudim de cachaça ficou sóbrio por conta própria, aliás, alguns acharam que o Consta já estava era bêbedo ou então tinha ido para a farra com o Nariz de Cera. Espantada a moça vez a grande revelação, disse que há duas noites o seu filho mais velho estava indo trabalhar de garçom num baile de formatura, quando encontrou o tio desmaiado dentro do táxi, por conta da bebedeira, preocupado entrou no carro e levou Constantino ao hospital. 
Segundo o rapaz, o tio não falava coisa com coisa, uma hora ou outra perguntava se o menino era a morte, o garoto assustado dizia apenas que Consta iria morrer em breve se não parasse de beber. 
- Meu filho estava todo empolgado para esse serviço, tinha comprado um terno novo e um perfume, porém encontrou o tio neste estado. No outro dia quando meu irmão chegou do hospital falando que tinha conversado com a Morte e por isso era preciso parar de beber para se despedir do mundo, não desmenti nada. Pensa! Um homem que escova os dentes com álcool para não sentir o gosto da água e toma suco de cevada para a saúde, se ficasse um dia sem beber seria um milagre. 

Fico imaginando então seis meses, realmente para muitos seria como esperar a morte.

Por Tiago Rodrigues